quinta-feira, 5 de junho de 2008

Eu disse uma mentira de verdade



Fico um tanto confuso com palavras
Faladas ou escritas, tanto faz
A mentira é feita delas
A verdade também
.
Como entender um Eu Te Amo?
Como não confiar nas palavras
pronunciadas por quem te beija?
.
O cinema está cheio de exemplos
Mas o real não passa na tela
Você é quem faz
Por isso FAÇA!

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Chernobyl & Lavuska. Uma História de Amor e Ódio, Mas em Diferentes Proporções.

Parte 1

Já fazia mais de duas horas que Katherine Lavuska estava de pé, quando o sol começara a mostrar seus primeiros raios luminosos detrás das monstanhas de Pripyat, pequena cidade da Ucrânia, mas ninguém estava lá para ver esse momento, Katherine, que mora em Kiev a mais de vinte anos sabe o por quê. Ela estava ansiosa e ao mesmo tempo angustiada, naquele dia algo muito importante na sua vida estava para acontecer, ela mesma não imaginava viver

o bastante para ver esse dia chegar, não que fosse algo desejado, muito pelo contrário. Em mil novecentos e oitenta e seis, Katherine, que estava com doze anos de idade, morava com seus pais e dois irmãos menores em Pripyat, uma cidade reconhecida como modelo por seu planejamento urbano e relativa prosperidade dos habitantes. Hoje, Katherine não possui família, os únicos parentes que ela conheçe são dois tios que moram na Rússia, mas já faz algum tempo que não tem notícias deles. Oito e vinte e sete da manhã, Mickael, amigo de Katherine chega de carro conforme eles tinham combinado à meses, eles se preparam para praticar um crime! Mas eles não estão preocupados com a polícia, não haverá um único oficial a milhas de distância e nenhum alarme será disparado durante toda a operação. Eles entram no carro e começam uma viagem de três horas em direção à Pripyat, sentido sul, Katherine e Mickael não conversam, simplesmente trocam alguns olhares interrogativos. Nos últimos vinte quilômetros até a entrada da cidade, grandes placas de aviso são vistas a todo momento, alertando os ignorantes da História sobre a ameaça fastasma da região. Katherine sabia do risco e muito bem por assim dizer, sendo assim, prosseguiam com o plano. Dez minutos depois e eles chegam na única entrada de Pripyat, que estava bloqueada por grandes blocos de concreto e mais avisos com dizeres muito diretos "Área proibida para civis, conforme lei federal número 1.345 de 14 de maio de 1986". Katherine olha fixamente para o aviso durante alguns segundos e cospe na placa, agora ela tenta atravessar o bloqueio a pé, coisa que não foi difícil, quando chega do outro lado, já dentro da cidade, ela pára e olha vagarosamente ao seu redor, uma lágrima de tristeza desce pelo seu rosto, ela se vira para Mickael e o abraça fortemente, contendo o choro.

Continua...

Crédito da Foto: link

sábado, 17 de março de 2007

Um pouco de Evangelista

Evangelista de Jesus tinha setenta e três anos quando seu marido Francisco Holtz faleceu, isso já faz três anos. Evangelista, que foi criada numa família numerosa e muito conservadora, mesmo sendo uma mulher de idade, era forte e batalhadora, nunca deixou de trabalhar na sua plantação de hortaliças e na criação dos cinco filhos do seu único casamento de quarenta e um anos e que durou até o momento crucial da morte.
Dona Evangelista sentia que sua vida não fazia mais sentido, já que não tinha mais o companheiro de toda uma vida e seus filhos já tinham suas famílias e moravam em outras cidades e raramente a visitavam, mesmo após a morte do pai. Com toda essa solidão, em vários momentos ela desejou que a morte a visita-se e a levasse o mais rápido possível, por que não fazia sentido viver para sofrer. Certo dia, Evangelista, católica conservadora, foi à missa, como faz toda terça, quinta e domingo. Nesse dia um novo padre estava sendo apresentado à comunidade, ele substituiria o atual, que estava se aposentando. O novo homem santo se chamava Gabriel e tinha trinta e seis anos, tinha boa fluência na comunicação com os fiéis além de charmosos olhos azuis. Desde o início da cerimônia Evangelista ficou admirada com Gabriel, e após a finalização da missa, nossa senhora foi pedir a benção ao novo padre e a cada passo que dava em direção ao santo sentia seu coração bater mais forte e seu rosto esquentar, algo que à muito tempo não se fazia presente em sua vida, ela chegou perto do padre, fitou seus olhos e pediu a benção, que o padre deu na mesma hora.
Quando chegou em casa, Evangelista correu para a cozinha e preparou um copo de água com açúcar para apaziguar seus sentimentos, naquele momento ela já sabia, mas não queria acreditar, estava apaixonada, nesse momento ela sentou no chão e começou a chorar desesperadamente, não entendia por que de tanto sofrimento em sua vida nos últimos anos e agora tamanha provação. Naquela noite, Evangelista de Jesus não dormiu, do mesmo jeito que não conseguiu rezar o terço, que não soltava da mão esquerda para nada, seus pensamentos só tinham um destino, Gabriel.
Diante da situação incomum na vida de Evangelista, ela decidiu ser categórica e rígida consigo mesma, arrumou uma mala com alguns pertences pessoais e roupas e viajou sem avisar ninguém até a praia do matadeiro, uma região em Florianópolis acessível somente via marítima ou a pé, lá alugou um pequeno casebre de madeira usado por pescadores e se isolou do resto do mundo, mas principalmente de Gabriel, que atormentava seus pensamentos constantemente. Em pouco tempo, Evangelista de Jesus parou de rezar e retirou do casebre todos os objetos religiosos que tinha levado consigo, enterrou tudo na areia da praia num profundo buraco, ela tinha se apaixonado novamente, estava muito feliz, não pensava mais em Gabriel, seu novo e eterno amor era a natureza exuberante da região.

sexta-feira, 16 de março de 2007

Introdução, como de praxe... né marilena?

Quero começar pedindo desculpas, primeiro a mim mesmo, por não me conter e postar algo mesmo antes de introduzir o objetivo do blog, como se isto aqui fosse nada representativo para mim. Depois, desculpas à você visitante, eu sei que só eu e o peixepequeno acessaram esse blog desde o seu surgimento, mas acredito numa vertiginosa ascenção ao top3 dos blogs mundiais em pouco tempo, bom, modestia a parte começemos pelo início...

Para você que não me conheçe, prazer, Ranchesfeld, escrevo para 2 blogs a cerca de uma semana. Um deles é o puscomsangue que é uma coleção das minhas fotografias, quanto ao nome do blog, sei que você deve estar pensando "que nojento", "que cara doente", mas posso explicar se você quiser. Quis traçar um paralelo nesse nome não com a questão literal do "pus" e do "sangue", mas numa forma poética de "fazer pra valer", "coloquei sangue no que fiz" entendeu? isso também não é assunto para esse post, devo criar um post sobre isso no próprio puscomsangue.

O outro blog é esse aqui, o Delírio Racional. Na verdade, só citei o puscomsangue porque é importante, já que lá não quero colocar muito texto, praticamente nenhum.... mas como considero a escrita uma arte, além da fotografia, quis fazer um blog com textos também, e como não gosto muito de blogs só com textos, tive a idéia de usar minhas fotografias como pretexto para escrever, assim, volta e meia vou pegar uma foto do puscomsangue e fazer dela um insight, um começo para um delírio escrito.

Obrigado por ter vindo.

Ópticosfera

Numa noite silenciosa, sob a luz refletida da lua, em toda sua plenitude, Marcos Antônio, deitado sobre o telhado de sua casa, num conjunto habitacional modesto e pacato, admirava de forma platônica toda a grandiosidade e beleza quase divina do céu estrelado. Alguns latidos dos cachorros na vizinhança quebravam a massa silenciosa de ar pesado e poluído que existe na região, próxima a um grande pólo industrial do país.
Mas naquele espaço tempo que Marcos Antônio se encontrava nada disso era perceptível, sua mente já estava entregue à beleza da lua e do céu sem nuvens, pensava ele, que as estrelas de tão lindas, poderiam ser gemas de pedras preciosas incrustadas no teto de uma grande caverna escura, e em movimentos lentos e descoordenados, Marcos Antônio tentava em vão alcançar alguma delas. Frente ao fracasso, sua mente, já totalmente imersa numa contemplação efêmera da natureza ali presente, tenta, e por que não, voar, só assim seria possível à Marcos Antônio alcançar alguma estrela. E num esforço não explicável Marcos Antônio se vê saindo de seu próprio corpo e flutuando no ar com uma leveza inconcebível em toda racionalidade humana. Ele admira por alguns segundos seu corpo deitado sobre o telhado, mas em pouco tempo seu corpo físico não existe mais, simplesmente desaparece, ficando em seu lugar somente suas vestimentas, ele não entende, mas gosta do momento, se sente muito bem e não dá muita atenção ao episódio.
Então, numa explosão de força e ventura, Marcos Antônio, já numa forma translúcida, voa rapidamente em direção ao alto. Ele nunca mais foi visto, mas depois desse dia uma nova estrela brilha no céu, você ainda pode vê-la, perto das Três Marias, com um raro e penetrante brilho.